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29-05-2017

DIA MUNDIAL DA ENERGIA

Celebra-se hoje, dia 29 de maio, o Dia Mundial da Energia. Assinalado em Portugal desde 1981, tem servido desde então de alerta às populações e às entidades oficiais para a necessidade de desenvolvimento de estratégias de eficiência e de poupança energéticas. Os impactos ambientais da produção e da utilização de energia são significativos e têm efeitos severos na preservação dos recursos ambientais e no aquecimento global. As mensagens passadas através das comemorações têm-se reflectido designadamente no aumento significativo, a nível nacional, da utilização de fontes de energias renováveis – uma tendência que se reflecte na diminuição da dependência de fornecedores externos e sobretudo da redução do uso de fontes fósseis, responsáveis pela emissão de gases com efeito de estufa. A Lisboa E-Nova, Agência de Energia e Ambiente de Lisboa, tem contribuído com muitos dos seus projetos para as mudanças desejáveis.


ENERGIAS RENOVÁVEIS NO MUNDO
No ano passado, o investimento mundial em energias renováveis atingiu um valor de 241,6 biliões de dólares (o valor mais baixo desde 2013), sem incluir os montantes das grandes hídricas. O investimento total caiu 23% em relação ao ano anterior. Contudo, a nova capacidade elétrica instalada cresceu, passando dos 127,5 GW de 2015 para um valor record de 138,5 GW em 2016. Os dados são de um estudo sobre as tendências globais do investimento em energias renováveis, publicado no passado dia 6 de abril pela Escola de Frankfurt, pela agência financeira Bloomberg e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Ainda a nível internacional, em 2016, segundo os dados mais recentes da IRENA, Agência Internacional de Energias Renováveis, a indústria das energias renováveis empregou 9,8 milhões de pessoas, um acréscimo de 1,1% em relação ao ano anterior. O sector solar fotovoltaico foi o maior empregador com 3,1 milhões de trabalhadores, 12% acima do registado em 2015.
ENERGIAS RENOVÁVEIS PORTUGAL
Em finais de janeiro de 2017, de acordo com dados provisórios da Direção Geral de Energia e Geologia, a potência instalada em Portugal em unidades de produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis atingiu os 13 338 MW. Este valor representa um peso de 54,9% da energia elétrica renovável em relação à soma da produção bruta com o saldo importador.
Já no que toca à produção anual com origem de fontes de energias renováveis, atingiram-se em 2016 os 33 348 GWh, com a região de Lisboa a ser responsável por 1 181 GWh desse total. Os maiores contributos vieram, todavia, das regiões Norte e Centro cuja produção representou 86% do total.
Desagregadas por tipos de fonte, a maior fatia produtiva pertenceu, em 2016, à energia hídrica, com 16 867 GWh, logo seguida pela eólica com 12 480 GWh. Realce ainda para os 2 418 GWh da biomassa, com e sem cogeração. Já o contributo das fotovoltaicas para a produção anual foi de 816 GWh. O potencial de crescimento da energia solar em Portugal, estará longe de estar esgotado. E tem sido aliás uma das apostas mais recentes deste setor. Desde 2014 entraram em funcionamento nove centrais fotovoltaicas de concentração, totalizando uma potência de 9MW.
Um marco importante em Portugal, há um ano atrás, foi também o consumo interno de eletricidade do país ter sido fornecido apenas por energias renováveis durante quatro dias consecutivos.
LISBOA E-NOVA
Na data em que se assinala o Dia Mundial da Energia, refiram-se também alguns marcos importantes do trabalho da Lisboa E-Nova na área energética. A progressiva perda de relevância dos consumos industriais, faz com que os edifícios sejam os responsáveis pela maioria do consumo de electricidade e de gás natural na cidade. Já o consumo de gasolina e gasóleo é quase da exclusiva responsabilidade do setor dos transportes. Dados consolidados para 2014 evidenciam que os consumos de energia associados à electricidade são responsáveis por 47% das emissões de gases com efeito de estufa no concelho de Lisboa, enquanto os de gasolina e de gasóleo contribuem com 37% desse valor.
Muitos dos trabalhos da Agência de Energia e Ambiente de Lisboa neste terreno têm tido por base a Matriz Energética de Lisboa e a Carta de Potencial Solar do concelho. No primeiro documento, desenvolvido a partir de uma avaliação que é feita pela cidade desde 2002 e cuja atualização é feita de modo quase imediato, está definida não só a oferta energética da região, como a análise da maneira como a energia é gasta, assim como dos setores onde é utilizada. Já a Carta de Potencial Solar permite identificar as zonas do município com maior potencial para exploração de sistemas solares térmicos e fotovoltaicos. Estas estimativas, levadas a cabo pela Agência, estão distribuídas por classes de produtividade resultantes da incidência de radiação.
A Lisboa E-Nova tem apostado em projetos com impacto na diminuição dos custos energéticos e no aumento de utilização de fontes de energia renováveis. No âmbito do projeto Sharing Cities, programa da União Europeia em execução até 2020, e em que a cidade de Lisboa participa, os Paços do Concelho, por exemplo, contará com intervenções de eficiência de energia e instalação de um sistema fotovoltaico na cobertura. Lançado em 2011, o Gestor Remoto é um sistema de apoio à gestão inteligente de consumos eléctricos e está já aplicado em largas dezenas de edifícios e infraestruturas, e permite identificar e corrigir gastos energéticos desnecessários em tempo útil.
Entre outros projetos recentes, destaque ainda, pelo simbolismo, para a otimização energética da iluminação pública e de monumentos, de que é exemplo emblemático a fonte da Praça do Império, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, através do chamado Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia Elétrica (PPEC 2013-2014). A substituição das lâmpadas incandescentes por um sistema LED garantiu uma poupança de 94%.
LAUDATO SI
Apesar do peso dos números e dos valores envolvidos, a aposta do planeta nas energias renováveis pode estar ameaçada. O presidente Donald Trump tem ameaçado retirar o apoio dos Estados Unidos da América ao Acordo de Paris, aprovado no dia 12 de Dezembro de 2015, com o objectivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e prevenir o aquecimento global.
Ao receber o presidente norte-americano no Vaticano no passado dia 24 de maio, o Papa Francisco entregou-lhe um exemplar em inglês da sua encíclica Laudato Sì sobre ambiente e alterações climáticas. No documento, o sumo pontífice católico defende o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento de formas menos poluentes de produção de energia. A oferta é vista pelos observadores internacionais como um modo de pressão sobre Donald Trump.

 

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