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05-01-2018

Cidades Inteligentes/Cidades do Futuro – Da transição energética à neutralidade carbónica

Realizou-se mo passado dia 29 de novembro de 2017, no Fórum Picoas em Lisboa, a conferência “Cidades Inteligentes/Cidades do Futuro – Da transição energética à neutralidade carbónica” promovida pela Lisboa E-Nova com o apoio do Sharing Cities, da revista Smart Cities e o patrocínio da Altice e onde estiveram presentes cerca de 100 participantes.
Em discussão esteve a ligação entre inovação tecnológica e social e a neutralidade carbónica e foram vários os fantásticos exemplos apresentados, referência do que já estamos a fazer no nosso país e na nossa cidade. Durante o dia, tanto nas apresentações como nos períodos de debate, os participantes pensaram coletivamente nos caminhos para a descarbonização, compatíveis com o cumprimento de objetivos mundiais como são as metas do Acordo de Paris. Falou-se de políticas locais e políticas nacionais, de transição digital, de economia circular, de inovação e de empreendedorismo

Ao longo do dia assistiu-se a um debate público sobre os caminhos que Portugal pode traçar para um futuro com zero emissões e sobre planeamento a médio e longo prazo para que aconteça a necessária transição energética e uma mudança de paradigma social. Estas mudanças afetarão todos, independentemente do grau de preparação.
O Vereador José Sá Fernandes apresentou-nos uma cidade de Lisboa diferente, focada no combate às alterações climáticas e em tornar Lisboa uma capital verde reconhecida. Adaptação e mitigação encontram os seus eixos centrais num programa de eficiência energética, num programa de eficiência hídrica e na infraestrutura verde. O aproveitamento dos telhados de Lisboa, uma infraestrutura ciclável e com menos carros, um plano de compras verdes, o afirmar da economia circular, um plano de gestão municipal de resíduos mais eficiente, a mobilidade elétrica e sustentável, a reutilização da água para regas de jardins, um plano de ação local para a biodiversidade ou um reordenamento arbóreo são algumas das medidas que estão já em cima da mesa.
Foi neste seguimento que Maria João Rodrigues da Lisboa E-Nova apresentou a estratégia solar para Lisboa cujo principal objetivo é passar de 2MW para 8 MW de potência instalada nos edifícios e estruturas urbanas até 2021.
Lisboa é uma das capitais Europeias com mais horas de sol durante o ano e a exploração da tecnologia solar fotovoltaica constitui uma oportunidade para tornar a cidade mais eficiente em termos energéticos e menos emissora de gases com efeito de estufa,  potencial este que está demonstrado na Carta de Potencial Solar.  Promover o autoconsumo, novas formas e ferramentas de governança e de fazer negócios, inovação social e tecnológica e contribuir para o desenvolvimento de sistemas regulatórios em Portugal são as intenções desta estratégia que tem como objetivo último criar uma cultura e cidadania solar.
A fechar o primeiro painel, no âmbito das políticas locais, Francisco Gonçalves da Energy Cities falou sobre transição energética como uma oportunidade para o desenvolvimento urbano e económico, referindo o papel central que as cidades ocupam nesta transição. No entanto, é necessário ultrapassar barreiras como a capacitação interna dos municípios, as economias de escala limitadas, as dificuldades de financiamento, os constrangimentos legais, a quantidade de players e a pressão da competição. É necessário criar uma cidadania energética baseada não só na transformação tecnológica mas também nas vantagens das sinergias entre os diferentes sectores e players bem como na mudança de comportamentos.
No âmbito das políticas nacionais, Paula Meireles apresentou o “Compromisso para o Crescimento Verde”, iniciativa que contribui para o desenvolvimento sustentável do país numa lógica de criação de valor assente no binómio economia-ambiente e com foco na dinamização de atividades que permitam a proteção do ambiente, nomeadamente através da redução das emissões de CO2, do aumento da produção de energia renovável, da melhoria da qualidade do ar e da água, e da valorização da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas.
Nuno Bonneville da Mobi.E mostrou um overview da evolução da mobilidade elétrica em Portugal. O programa de mobilidade elétrica que tem como visão tornar Portugal como um espaço natural para o desenho, desenvolvimento, engenharia, produção e teste, em ambiente real, de novas tecnologias, produtos e serviços para a economia verde principalmente para a mobilidade elétrica.
O painel dedicado às políticas nacionais terminou com a intervenção do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, que deixou mensagens sobre o sentido de urgência associado ao clima e relembrou que o objetivo do país é muito ambicioso e que se traduz na neutralidade carbónica para 2050 (explicando que se entende por neutralidade carbónica o balanço nulo entre emissões de gases com efeito de estufa (GEE) – e não apenas dióxido de carbono – e remoções ou sequestro desses gases). Falou sobre o Roteiro Nacional  que foi lançado e que pretende ser um exercício com o envolvimento de todos, assente em 3 pilares: a modelação das emissões em 5 áreas específicas (energia, transportes, resíduos, agricultura e uso do solo e economia circular), a comunicação e o envolvimento da sociedade.
No painel “Transição Digital – Cidade Social”, Telma Mota da Altice Lab apresentou o Sharing Cities, realçando os grandes desafios das cidades inteligentes, tais como o crescimento demográfico, os impactos ambientais, a reabilitação urbana ou as dependências complexas na cadeia energética e a integração de todos os desafios com a necessidade de manter as cidades vibrantes e atrativas. Na sua apresentação referiu como o Sharing Cities é crucial para partilhar problemas e ambições das cidades envolvidas, das soluções comuns que podem ser encontradas para controlar o espaço urbano, bem como a forma como as cidades inteligentes devem usar a informação que produzem para melhorar a vida das pessoas, otimizar processos, reduzir custos e abrir as portas a novos mercados.
Terminou partilhando algumas lições aprendidas no desenvolvimento deste projeto, referindo que a evolução deve focar-se na sociedade embora os cenários de implementação sejam puxados pela tecnologia, na importância da inovação e da extração e gestão de dados bem como da segurança e privacidade e na relevância do desenvolvimento de novos negócios para acompanhar as tendências de mercado.
A terminar a manhã, Eduardo Silva da Lisboa E-Nova, levou à plateia o exemplo de AlfAma Smart Sustainable District (SSD)e demonstrou como é que a sustentabilidade pode impulsionar o desenvolvimento de bairros históricos. AlfAMA SSD é comparticipado pelo Climate Kic e pretende desenvolver uma agenda que potencie a implementação de soluções sustentáveis, onde a adaptação e resiliência às alterações climáticas e outros problemas ambientais sejam vistos como oportunidades, atuando no espaço público, nos edifícios e na mobilidade. A abordagem tem um forte ênfase na inovação social como resultado de um processo interativo, no qual as soluções são definidas em co-criação com os cidadãos. “transforming cities, one district at a time”.
Na parte da tarde foram vários os exemplos de economia circular, inovação e empreendedorismo. António Lorena da 3 Drivers falou sobre metabolismo urbano como a base das cidades circulares e explicou como é que se pode fazer a transição através de simbioses industriais, concretizando os princípios da economia circular. Os projetos EPR.COLAB ou o SymbiOPOrto são exemplos de como promover as simbioses industriais entre as empresas através da implementação de plataformas de integração de políticas e medidas que conduzam a um futuro de baixo carbono.
Ricardo Vicente da Lisbon Farmers apresentou um projeto de produção agrícola em meio urbano com capacidade comercial. A técnica de hidroponia (método de cultivo de plantas utilizando soluções de nutrientes minerais, em água, sem recorrer ao solo) vai ser utilizada na cobertura do mercado de Arroios e os produtos serão vendidos no piso de baixo.
João Santos da Siemens começou por referir o panorama geral da situação em relação aos resíduos sólidos urbanos (RSU). Em média estima-se que cada pessoa produza 1.3 Kg de resíduos sólidos por dia. No entanto, a energia dos resíduos é muitas vezes vista apenas como uma solução para a gestão da destruição dos mesmos em vez de ser vista como valorização do recurso. As centrais de incineração contribuem significativamente para a redução das emissões de carbono, dado que fazem uso de materiais que já foram rejeitados. Os resíduos vistos como fonte de energia poupam recursos de combustíveis fósseis para a produção de energia sustentável. O RSU pode e deve ser visto como uma oportunidade de criação de emprego e de produção de energia elétrica junto das populações locais.
Jorge Tavares apresentou o Navia, uma plataforma de gestão operacional das infraestruturas urbanas que é um veiculo para a redução das emissões e para a qualidade ambiental. O Navia privilegia o trabalho colaborativo onde há o envolvimento das equipas, promove e motiva todos os intervenientes, simplifica procedimentos e otimiza recursos, agregando dados de múltiplas fontes num único ponto de acesso. Jorge Tavares deixou um desafio: podemos falar de cidades inteligentes sem falar de sociedades inteligentes? Será possível falar de cidades inteligentes sem falar de pessoas? As pessoas que têm um papel fundamental sendo muitas vezes “atropeladas” pela tecnologia.
Paulo Calau da ADENE, referiu as vantagens da certificação energética de frotas apresentando o SEEF – Sistema de Etiquetagem Energética de Frotas, um projeto pioneiro e inovador que é uma marca registada a nível nacional e europeu e um sistema voluntário que pretende ser uma referência para um sistema normalizado.
Miguel Fontes da Startup Lisboa apresentou o projeto do Hub Creativo do Beato, um hub que vai agregar players que posicionem Lisboa como uma cidade criativa, aberta, empreendedora e inovadora. O conceito está suportado em 4 eixos estratégicos: empreendedorismo, indústrias criativas, inovação&conhecimento e “Startups, scaleups&global companies” e terá vários serviços associados para suportar toda a atividade, bem como zonas exteriores que se venham a traduzir em boas práticas de sustentabilidade e uma forte presença de arte urbana como elemento de ligação e de coerência estética entre os vários espaços, como elemento unificador. O Hub Criativo do Beato vai acrescentar valor à cidade, atrair os mais inovadores, rasgar o espaço e integra-lo na malha urbana.
No final da conferência assistiu-se á apresentação de 2 projetos finalistas na Smart Open Lisboa cujo objetivo é apoiar soluções urbanas inovadoras fomentando a adoção de novas tecnologias e transformando desafios urbanos em oportunidades de negócio, causando impacto na cidade. No fundo, tornar a cidade num laboratório vivo para startups. Francisco Manso da Trigger Systems, empresa que cria softwares capazes de controlar os sistemas de rega numa  única plataforma e Filipe Romão da AppyFans, criadores de uma aplicação que liga as lojas de comércio local com os consumidores, adaptando a oferta ao que gostam e precisam, fecharam a quinta conferencia com chave de ouro. Consulte as apresentações aqui.

 

 

Conf 2017 1

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