Dia da Terra, o Acordo de Paris a cuidar da nossa casa

A terra é a nossa casa. Cuidemos dela!

Celebrou-se no passado dia 22 de abril mais um Dia da Terra. Há um ano, neste mesmo dia, 175 países assinaram o Acordo de Paris, um dos maiores e mais críticos desafios para o planeta.
O Dia da Terra tem como objetivo incentivar as pessoas em todo o mundo a serem mais amigas do ambiente e foi celebrado pela primeira vez em 1970, criado pelo senador norte americano Gaylord Nelson, depois de um devastador derrame de petróleo em 1969 em Santa Bárbara, Califórnia. O senador percebeu que se pudesse aproveitar esta tragédia ambiental para uma consciência pública emergente sobre a poluição do ar e da água, forçaria a proteção do ambiente na agenda política nacional. Ainda em 1970  Gaylord Nelson anunciou a ideia de um “ensino nacional sobre meio ambiente” .
No primeiro ano que este dia foi celebrado participaram 20 milhões de americanos, duas mil universidades, dez mil escolas primárias e secundárias e milhares de pessoas.
O Dia da Terra em 1970 alcançou um alinhamento político raro, juntando o apoio de republicanos e democratas, ricos e pobres, urbanistas e agricultores, magnatas e líderes trabalhistas. Esta pressão social teve sucesso e o governo dos Estados Unidos criou a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.
A partir de 1990, um grupo de líderes ambientais pediu a Denis Hayes, o fundador do Earth Day Network, para organizar uma grande campanha. Desta vez, o Dia da Terra foi global, mobilizando 200 milhões de pessoas em 141 países e levando as questões ambientais para o palco mundial. O Dia da Terra de 1990 ajudou a preparar o caminho para a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento onde nasceu a Agenda 21 e onde foi aprovada a Convenção sobre Alterações Climáticas, a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Declaração de princípios sobre florestas (Rio+92). Também levou o presidente Bill Clinton a conceder ao senador Nelson a Medalha Presidencial da Liberdade (1995) – a maior honra dada aos civis nos Estados Unidos – pelo seu papel como fundador do Dia da Terra.
Em 2010 viveu-se uma época de grande desafio para a comunidade ambiental. Os que negam as alterações climáticas, os lobistas do petróleo bem financiados, os políticos reticentes, um público desinteressado e uma comunidade ambiental dividida contribuíram para o cinismo narrativo. Apesar destes desafios, o Dia da Terra prevaleceu e o Earth Day Network restabeleceu o Dia da Terra como um ponto focal relevante e poderoso.
O Dia da Terra atingiu o seu status atual de grande relevância no mundo, celebrado por mais de mil milhões de pessoas por ano, e um dia de ação que altera o comportamento humano e provoca mudanças na política. Hoje, a luta por um ambiente limpo continua com crescente urgência, à medida que os estragos das alterações climáticas se tornam mais evidentes a cada dia.
Neste mesmo dia, em 2016, foi assinado o Acordo de Paris com o objetivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e prevenir o aquecimento global,tendo entrado em vigor em Novembro desse ano.

 

O verdadeiro significado do Acordo de Paris e a vontade que ele corporiza é a necessidade de mudarmos para muito melhor aquilo que foi o modo de funcionamento das nossas sociedades nos últimos dois séculos. Essa revolução tecnológica, económica e social está em marcha. O Acordo de Paris,  pela primeira vez, coloca todas as nações numa causa comum para empreender esforços ambiciosos para combater as alterações climáticas e adaptar-se aos seus efeitos, com um apoio reforçado para ajudar os países em desenvolvimento. Como tal, ele traça um novo curso no esforço do clima global.
O objetivo central do Acordo de Paris é fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, mantendo um aumento da temperatura global neste século bem abaixo de 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e prosseguir os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius . Além disso, o acordo visa fortalecer a capacidade dos países para lidar com os impactos das mudanças climáticas. Para atingir estes objectivos ambiciosos, serão criados fluxos financeiros adequados, um novo quadro tecnológico reforçando capacidades, apoiando assim a acção dos países em desenvolvimento e dos países mais vulneráveis, em conformidade com os seus próprios objectivos nacionais. O Acordo prevê igualmente um quadro de transparência mais robusto.
O Acordo de Paris exige que todas as Partes envidem os seus melhores esforços através de “Nationally determined contributions” e que reforcem estes esforços nos próximos anos. Isto inclui requisitos para que todas as Partes informem regularmente sobre as suas emissões e sobre os seus esforços de implementação.
Em 2018, as Partes analisarão os esforços coletivos em relação ao progresso alcançado no cumprimento do objetivo estabelecido no Acordo de Paris e haverá também uma avaliação global a cada 5 anos para avaliar os progressos colectivos no sentido de alcançar o objectivo do Acordo.
Enquanto o Acordo de Paris segue o seu caminho, o mundo aguarda uma decisão de Donald Trump sobre a continuação ou não dos Estados Unidos da América no Acordo, depois de ter assinado uma ordem executiva que reverte os regulamentos climáticos da era Obama. A escolha de Trump para liderar a Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, deixou claro que as mudanças climáticas não serão uma prioridade urgente para a agência sob o seu controle nem para o Presidente dos EUA.
Enquanto isso o resto do mundo, através das 143 Partes que já ratificaram o Acordo, caminham lado a lado.

Dia da Terra 2017, Papa Francisco no twitter: “Lord, bring healing to our lives, that we may protect the world and not prey on it, that we may sow beauty not pollution and destruction.”

 

Maria João Ramos

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